A durabilidade dos resultados nos tratamentos de cicatrizes com preenchedores não depende apenas do material utilizado, mas também da técnica aplicada e da resposta biológica induzida nos tecidos. Em particular, técnicas realizadas com múltiplos pontos de entrada da agulha e injeções superficiais repetitivas (como abordagens de microinjeção densa) parecem exercer efeitos tanto mecânicos quanto bioquímicos.
Nessas abordagens, as múltiplas inserções da agulha criam um microtrauma controlado na derme, estimulando a produção de colágeno (neocolagênese). Ao mesmo tempo, a disrupção mecânica causada pela agulha pode produzir um efeito semelhante à subcisão, contribuindo para a liberação das bandas fibróticas que tracionam a cicatriz. Isso proporciona uma vantagem mecânica importante na redução da profundidade das cicatrizes.
Além disso, o ácido hialurônico (AH) não atua apenas como um preenchedor volumizador; ele também apresenta efeitos bioestimuladores na matriz extracelular. Evidências na literatura sugerem que o AH pode aumentar a atividade dos fibroblastos, promovendo a produção de colágeno e elastina e favorecendo o remodelamento tecidual. Esse processo pode ir além do efeito volumizador temporário inicial e contribuir para melhorias estruturais mais duradouras.
Portanto, quando aplicado com técnica adequada e em sessões repetidas, o tratamento com ácido hialurônico para cicatrizes pode proporcionar não apenas um efeito de preenchimento temporário, mas também benefícios a longo prazo por meio do remodelamento tecidual e da regeneração dérmica. No entanto, o grau de durabilidade pode variar conforme a resposta biológica do paciente, o tipo de cicatriz e o protocolo de tratamento.
Em conclusão, quando realizado com a técnica correta, o tratamento de cicatrizes com preenchedores pode alcançar melhorias clínicas duradouras — e, em alguns casos, quase permanentes — por meio da combinação de efeitos mecânicos (liberação semelhante à subcisão) e biológicos (estimulação de colágeno e elastina).